Projeto Ja'e

Colunas Ordenação   Exportação   Filtrar Sair
  Título Povo Descrição Português
Kotyhu Guarani Todos os cantos considerados kotyhu foram feitos por Pa’i Taita Mbeju. Ele é o guardião das rezas que encantam, é também o filho de Ñane Ramõi Papa, criou inúmeros cantos que, em sua maioria, encantam as mulheres e os homens. Antes de voltar para o céu, onde está o nosso grande pai, ele deixou muitos cantos pelo mundo, que os sábios aprenderam e usam até hoje, mas são proibidos de ensinar.
Guachire Guarani São danças com inúmeros cantos improvisados no momento da festa, alguns cantam sobre o motivo festejado, outros cantam para a mulher, alguns trazem no canto o comportamento de outras pessoas; às vezes, acontecimentos, algo que vai acontecer ou segredos de alguém. São cantos para brincar na festa.
Guahu Guarani São danças feitas por Ñane Ramõi, que só são usadas para se apresentar para ele; são inúmeros cantos que existem desde a criação dos animais e da natureza, que os Guarani e Kaiowá chamam de oipapa, os quais contam as histórias por meio da dança.
Jeroky Guarani São cantos sagrados, feitos e aprendidos somente por rezadores. São muitas rezas e cantos para diversos tipos de acontecimentos, problemas, conquistas, cerimônias, festas, agradecimentos, e são executados para a proteção de todos, podendo ser cantados sequencialmente.
Ñengára Guarani É o caminho diverso das rezas, a maneira de contar o acontecimento e apresentá-lo com rezas, feitas de palavras sábias deixadas pelos ancestrais. Cada sábio, ou omba’e kuaáva, tem seu próprio ñengára, ou seja, um método próprio para seguir seu caminho, até ser ouvido por ñane ramõi.
Jeroky puku Guarani É uma festa ou cerimônia longa, que dura, aproximadamente, 28 dias. Começam ao anoitecer e só terminam ao amanhecer, quando ocorre o revezamento de cacique, para execução doe cantos, que são muito longos e deve ser bem executado sequencialmente, que se chama de aipapa ñengára, ou contagem por meio da reza. Ocorre para agradecer e fazer a oferenda da produção de milho branco, depois da colheita.
Kunumi pepy Guarani É a preparação dos meninos, que passarão pelo furo do lábio. Eles dançam noite e dia, sem cansar, para chegar preparado no dia e momento de furar o lábio. Todo ritual serve para que o menino seja preparado física e mentalmente. Só com isso pode passar para outras fases da vida.
Kunumi tembeta Guarani É a última cerimônia, quando todos os meninos são colocados em fileira sentados, para receber o furo no lábio, depois de tomar a bebida. Com eles fica uma chamiri, menina escolhida para assegurar e ajudar o furador de lábio. A menina escolhida é parenta ou, às vezes, não, mas deve ser aquela que ainda não teve menstruação, mas que está prestes a ter.
Chiru Ryapu Guarani É o trovão, considerado como aldeia dos mortos - Chiru Ju’ y, onde tem uma casa de reza muito grande. Quando os mortos se manifestam, é possível ouvir um som de trovão, mas não é para chover. Isso acontece como sinal de nova temporada de vida, durante os meses de fevereiro a julho, quando o Chiru toca por três vezes. Ou seja, é possível ouvir três trovões do lado nascente do sol, nestes meses, de manhã cedo, mas não sequencialmente. E a seguinte temporada começa no mês de setembro ou outubro, quando o trovão toca por cinco vezes no lado poente do sol. Assim inicia-se o novo tempo para o povo Guarani e Kaiowá. Em um ano ocorrem duas temporadas.
Chiru Tape’y Guarani Significa o corpo transparente, limpo e cheio de verdadeira sabedoria. Há sete chiru; cada um representa o corpo e a sabedoria, este são nome: chiru yvyra ju chiru tavyterã, chiru mondeja, chiru yvyra’i, chiru jekokavy, chiru yvyrã ryakuã, chiru arague’i, tupã rei, ro’y jára. Para que se torne sábio, limpo e transparente, o corpo tem que passar por batismo e benzimento. O artefato que fica na frente da casa de reza representa um altar e, no entorno dele, deve-se fazer diversos cantos e rezas. Ele simboliza um corpo. O chiru é como se fosse bíblia, que orienta a vida dos Guarani e Kaiowá. Além dos já citados acima, há mais 21 chiru. Entretanto, alguns sábios dizem que só tem cinco chiru. Assim como a terra, o solo em si representa o nosso corpo, o chiru representa nossos ossos, a água representa o nosso sangue e o ar representa a nossa respiração. Por isso, a água não faz mal para o nosso corpo, porque ela representa o sangue do nosso corpo. Os Pa’i Tavyterã sabem que precisa fazer ojasojavo - renovar o corpo e a mente, para chegar a esse lugar; precisa rezar para que a alma fique transparente - heko marangatu. Ã ou ãngue são sombras impossíveis de se ver nesse mundo, sombras que só os Jára podem vê- las. Quando esse espírito - ã - não vai ao chiru rendápy - aldeia dos mortos, ele fica perdido nesse mundo. Por isso o chamam de ãngue - sombra escura de uma pessoa que não deveria estar aqui nesse mundo. Quem pode levar, de fato, o ãngue e o marany é a tempestade causada por seu guardião, Kurusu Ñe’ẽngatu, que faz o temporal com vento e raio, para levar embora os mortos perdidos nesse mundo. Se o ãngue for muito mau, o diabo também está à sua procura para comê-lo. Isso é possível entender, quando chove pouco, mas se ouve um barulho de chuva no céu; parece ser chuva, mas é o diabo que ferve o ãngue - espírito ruim de uma pessoa, para comê-lo. Se acaso o ãngue não for, nem mesmo por meio de marany, os jára terão que intervir por meio das rezas e cantos e o uso de plantas medicinais tradicionais para benzê-lo e mandá-lo embora. A este é chamado de ndohoséi - não quer ir. Quando acontece isso, os parentes e pessoas próximas não conseguem dormir, porque o ãngue faz muito barulho, ouve-se som de vozes, mas ninguém o vê; as crianças podem vê-lo e podem ficar doentes; os adultos dificilmente o veem, mas podem ouvi-lo e sonhar com ele.
Ir para Visualizar 1 2 3 [1 a 10 de 25]